segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Colorir e inserir caos



Henrique aka Pulga,aka Sorte, nasceu e cresceu na Carvoeira, estudou assim como eu, no Colégio de Aplicação, e hoje com apenas 18 anos, é artista de rua conhecido por toda ilha, e continente,seja por seus grafites ,stencils, colagens e etc.
O skate fez parte do cenário deste bairro desde dos primórdios de sua prática aqui em Florianópolis, passagem para os bairros que cercam  UFSC, os diversos pontos de ônibus, obstáculos naturais e a movimentação basicamente de estudantes ao redor, foi assim que o artista deu ínicio ao seu aprendizado.
Foi assim que eu o conheci, o menor da galera da antes conhecida Rua Pintada, e com a marca registrada de sempre estar com um grande sorriso no rosto, Henrique era um dos meninos da  Carvoeira.
Em um multirão para pintar a rua onde andávamos de skate, ele teve contato com diversos artista que eram da vizinhança e que formavam uma cultura de rua, urbana, andavam de skate, dividiam uma coca-cola ,pães ,queijo e a madrugada garantia tintas, cores e música.
Pouco depois disso, novas cores, protestos, stencils começaram a espalhar sobre o quase bairro. A responsabilidade dessa intervenção urbana veio com o pequeno Henrique,já conhecido por Pulga então, e com a parceria de um grande artista e amigo pessoal Rodrigo Rizzo.




O grafite, diferente da pichação, é uma arte,uma intervenção urbana que quebra o cotidiano com imagens, cores e muito treino destes artistas, uma arte visual. São feitos na maior parte das vezes em locais com autorização. O grafite  utiliza técnicas bem mais complexas que a pichação, são desenhos mais elaborados e têm por objetivo interferir na estética urbana. 

 Ao cruzar com ele esta semana, lembrei com gosto que este é um fruto da Carvoeira, cresceu e espalhou raízes e cores por todo o país, e também na Argentina e Chile, e ao mesmo tempo, acho triste que não são todos que conhecem as diversas faces deste grande artista nascido e crescido aqui nesse quase bairro.

``Costumo misturar tudo,colorir e inserir meu caos,e o meu estilo cada vez mais desenvolve-se por meio de experimentações contínuas e trocas com os intermináveis artistas que estão pelas ruas,madrugadas ou no meio da musica,skate,fotografia. O mundo está acordando, ou assim o espero, por exemplo, a desmarginalização da arte urbana, arte de rua, grafite não é sujeira, é a expressão correndo riscos, seja este risco em tintas, stencils, teatros, musicas, precisamos de arte, e precisamos entender que todos somos diferentes e o respeito é fundamental para o crescimento e desenvolvimento``; Pulga.





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